Zumbi subject 117A
117 semanas se passaram e já não é de hoje que notamos um comportamento estranho nos zumbis. Corremos riscos mas fizemos estudos de campo além de várias capturas durante os últimos 3 meses em busca de cobaias. Aparentemente, e por mais incrível que possa parecer, alguns se mostravam mais agressivos que o normal, outros pareciam que tentavam falar. Mas todos morriam dias depois, deixavam de apresentar atividade cerebral, como se tivesse levado um tiro certeiro na cabeça. Por semanas tentamos entender a causa, era como se estivessem tentando fazer alguma coisa e algo saiu errado. De qualquer forma guardamos os corpos.
Mas, entre tantas cobaias uma nos chamou atenção de início. A subject 117A, que resistiu aos tratamentos e tem mostrado certa excitação e entusiasmo quando me vê. Ela não devia ter mais de 30 anos, seu corpo ainda mostra jovialidade, e o rosto, apesar de ter a face esquerda desfigurada percebe-se que era apenas uma moça. Seus olhos se tornam mais vivos a cada dia, mudando a coloração de volta ao normal, e perdendo aquela aparência vazia. Alguns outros zumbis passaram por isso, mas logo no inicio morreram, ela não. Temos tudo documentado, só mesmo assistindo aos videos e observando as fotos para acreditar. Embora ela não responda a nenhum outro estímulo por enquanto, algo em seus olhos demonstra o contrário do que deveria ser um zumbi.
A subject 117A é realmente diferente. Por isso resolvemos tentar explorar seu psicológico e ver se é possível que ela demonstre ter consciência de alguma coisa.
Cheguei bem cedo, hoje é o primeiro dia dos testes psicológicos, tentarei me comunicar com ela, e estou muito ansiosa. Peguei meu café e entrei na sala blindada. 117A estava presa com grossas argolas de metal que vinham do chão e da parede a suas costas. Concordamos que ela não tomaria nenhum sedativo. Sentei a sua frente aproximando a cadeira da mesa, levei uma pasta com algumas fotos e fui aos poucos mostrando a ela, uma por uma. Eram fotos de crianças, famílias, namorados e algumas pinturas. Ela observava cada uma claramente, com muita atenção, e totalmente controlada. Soube que era o momento certo para iniciar um diálogo.
- Você gostou de alguma dessas? Escutei apenas um grunhido.
Puxei junto com a pasta uma pintura que meu filho fez dia desses, era um monstro que mais parecia um demônio. Guardava a pintura justamente para conversar com ele sobre isso, mas resolvi mostrar para a 117A.
De repente um sorriso se formou em seu rosto. Eu estremeci e larguei o desenho por um minuto ajeitando os óculos e tentando me recompor, aquilo foi perturbador. Novamente levanto o desenho e pergunto, tentando parecer o mais calma possível:
- Você gosta? E então acontece o impossível, ela responde:
- Somos uma legião terrena agora. Vocês nos proporcionaram isso. Quem desenhou este? Ele deve nos conhecer bem por debaixo dessa carne podre.
Segurei o ar por mais de um minuto. Meus colegas viram através do espelho da outra sala, tentaram interferir, por medo talvez, mas eu acenei para que me deixassem com ela. Continuava:
- Corpos em decomposição não são exatamente o tipo de coisa que imaginávamos usar, mas graças a vocês isso foi possível e pudemos passar para este plano. E mais virão, muitos mais – fez uma pausa para respirar e engolir a bola de saliva que se formou em sua boca. Mas o sorriso ainda estava lá.
- Isso é só o começo…












Gostei muito da postagem, a mudança de zumbificação para possessão de corpos foi simplesmente genial, sai de uma boa vertente para outra muito boa também.
Cheguei a pensar de inicio que a personagem principal era um homem que achava que a zumbi poderia estar se apaixonando por ele e der repente BAMMM… supresaaa!
Muito Bom, parabéns
Oi Igor, eu quis passar essa impressão mesmo, de que a zumbi pudesse se sentir atraída pelo cientista. A ideia do conto veio quando eu tava estudando sobre viagem astral, dizem que quando nosso “espirito” abandona o corpo por muito tempo ele vira uma espécie de receptáculo para outros espírito, ai pensei nos zumbis.
Muito obrigada, abração!
Em religiões Voodoo acreditasse nisso mesmo… que os zumbis(criados por maldição ou ritual) não são animais que precisam de carne como os zumbis atuais, são mesmo demonios que dominam os corpos corpos humanos “vazios”!
Sua sacada ficou muito boa!
Você vai dar continuidade?
Finalizei de uma maneira que desse margem para uma continuação, mas ainda não sei. Acho que pra ficar completa daria uma cronica com mais 2 ou 3 contos. E teria que ter uma guerra épica hein, mas to trabalhando nisso, vamos ver se consigo.
Fiquei curioso por uma continuidade, a estoria me chamo a atenção, por mais que seja breve seria interessante ler uma continuidade, pelo que deu pra ver na primeira, você tem capacidade e criatividade para outras. Uma guerra entre “zumbis demônios” e humanos me da gostinho de quero mais. Adoraria ler um pouco mais…
Tomara que você consiga.
adorei o texto, já adicionei seu site aos favoritos!
parabenz
Que bom que o conto agradou Henrique.
Abração.
Já virei fã. Adoro contos de terror, horror, ficção e os seus que são tudo isso numa mistura perfeita! Parabéns!
Valeu mesmo Lee, muito obrigado.
Abração.
Olá. Hoje a meia-noite estava vagando pelo blog do Ocioso, e encontrei o seu post, e realmente me iludi com pensamentos fora dos normais.. Quando vi pela primeira vez a sua publicação, a minha indiferença em minha mente me perguntava, se este conto, era baseado em fatos reais.. Nada esquece..
Então.. Só ao ver o fim do post que percebi que era um conto.. Já que não tinham fontes, videos, fotos, já que realmente pensei que era um conto, de uma pessoa que estava no lugar da experiência.. Bom..
Achei bastante emocionante, certamente me surpreendi com tamanha imaginação.. Eu nunca tinha visto algo que realmente me deixou surpreendindo.. És interessante a mim, a ver o que se passas em tua mente.. Rs
Me perdoe pela tamanha objeção em lhe elogiar rs. Pois a minha obsessão, por zumbis, me deixou á imaginar á muitas coisas, e quando percebi que de fato, não era algo que eu imaginava, ri comigo mesmo, dizendo que eu mesmo me enganei. Rsrs
És admirável as palavras geradas, criadas pela tua mente brilhante. Tiro o meu chápeu para você, e como um fiel leitor, lhe seguirei em teu caminho. Agora me retiro, lhe dando um sorriso. Rs..
Até breve. Abraços.
Oi Worcker,
Fico feliz que o conto tenha agradado, é muito bacana ter esse feedback. Em breve tem mais.
Abração.
Mulher, fiquei nervosa! Huahuahuahuahuahu
Inspirado em Resident Evil? The Walking Dead? Interessante. O meu irmão iria gostar bastante desse conto.
Sempre gostei de zumbis, fiquei um bom tempo pensando em uma “utilidade” pra eles, a ideia veio sem querer quando lia sobre viagem astral.